sexta-feira, 5 de novembro de 2010

EXCLUSIVO - Viatura da Conurb com licenciamento atrasado era utilizada para multar




ROGÉRIO GIESSEL
rogério@gazetadejoinville.com.br

Como um deboche, a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), vergonhosamente não cumpre aquilo que cobra dos motoristas joinvilenses. Suas questionáveis blitzes têm sido implacáveis com motoristas que transitam com o licenciamento vencido, no entanto, a própria Conurb circulava com veículo irregular. Escandalosamente, a viatura em questão era usada pelos agentes de trânsito para multar.

Na manhã de quinta-feira (4), por volta das 11h40, na avenida Aluisio Pires Condeixa, em frente ao número 3055, no Saguaçu, o Corsa, placas MBY 9318, de propriedade do Fundo de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville, com adesivos da Conurb e dotado de um pomposo giroflex, era utilizado por dois agentes que sorrateiramente escondidos atrás de uma árvore tentavam flagrar motoristas acima da velocidade com um radar móvel.



Uma consulta ao sistema do Departamento Estadual de Trânsito, feita no mesmo dia, às 14h49, revelou que o veículo usado pela Conurb foi licenciado pela última vez no dia 27 de agosto de 2009, ou seja, desde o dia 31 de outubro o carro trafega sem o devido licenciamento. Mas, o OCR, equipamento que faz a leitura de placas e que é utilizado pela Conurb para detectar carros com a documentação irregular, “coincidentemente” não acusara a irregularidade no carro da oficial.



Foto tirada na manhã de ontem (quinta-feira, 4), as 11h50

Como se não bastasse, o prontuário do veículo de quem deveria dar o exemplo, ainda registra duas multas. A primeira é do dia 16 de setembro de 2003, por excesso de velocidade, a qual, estava em processo de recurso e que foi indeferido em 9 de julho de 2004. A outra, de 4 de fevereiro desse ano, é devido ao condutor estar dirigindo com apenas umas das mãos, no Km 41 da rodovia federal BR 101.



O importante é multar

Os dois agentes flagrados com o carro irregular também serviu para denunciar o descaso da Conurb com a infraestrutura viária de Joinville. Enquanto multavam os carros, uma placa de sinalização localizada ao lado dos agentes e que deveria estar indicando uma perigosa curva à 50 metros do local, ostentava um velho adesivo de uma antiga campanha eleitoral.
Pelo péssimo estado da placa, o descaso com a sinalização já tem algum tempo. Apesar dos dois anos da administração do PT, é provável que a desculpa pela placa inelegível seja atribuída a “gestão anterior”.

Ainda mais grave, foi a constatada prioridade dos agentes da Conurb. A cerca de 20 metros do local, na rua D. Francisca, paralela a rua onde estava a dupla de agentes de trânsito, alunos de um colégio particular arriscavam a vida para atravessar a rua disputando espaço com o intenso movimento de veículos.

No mesmo horário, na rua Max Colin, em frente ao ginásio Ivan Rodrigues, outra blitz da Conurb abarrotava o caminhão cegonha da empresa Guincho Truck com veículos em situação semelhante ao Corsa da companhia. Por sinal, a Ghincho Truck, que faz a remoção dos automóveis apreendidos também tem sido alvos de constantes reclamações devido a pratica de exorbitantes preços.





O que diz a Conurb

Questionado sobre a absurda situação envolvendo a viatura da Conurb, o diretor de vigilância e trânsito, Lourival de Souza, informou que a coordenadora de gestão de pessoas e patrimônio, Daniela Cristina Martins Henschel é que explicaria a infração cometida pela Conurb.

Entretanto, a Gazeta de Joinville tentou insistentemente contato com Daniela em seu telefone celular, mas, ela não atendeu as chamadas.

Mais tarde, às 17h15, Lourival ligou para a redação alegando que o licenciamento estava em dia, e que a única irregularidade constatada era a de os agentes não estarem com os documentos de porte obrigatório. “O licenciamento foi pago no dia 18 de outubro e o documento foi pego somente hoje”, afirmou.

Mas, o fato é que o licenciamento do veículo referente ao ano 2010, passou a constar no sistema do Detran apenas às 17 horas, depois que a Conurb foi questionada sobre a irregularidade pela Gazeta de Joinville, ou seja, até aquele horário a viatura estaria sim trafegando em situação irregular como constava na consulta consolidada de veículos do sistema Detrannet.
Sobre as multas, o diretor disse que a referente ao excesso de velocidade foi paga em 25 de agosto de 2004, e a outra, aplicada por uma policial rodoviária federal, está em fase de recurso. Isso mesmo, ironicamente a Conurb também recorre das multas.










3 comentários:

Jordi C disse...

He,he,he... Bem no estilo, façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.
A imagem do caminhão cegonheiro carregando veículos com IPVA vencido é a melhor expressão da indústria da multa.
Não esqueçam que vem ai o decimoterceiro e as ferias, então é preciso arrecadar mais.
É tempo de Natal e de R$$$$$$.
O exemplo que a Conurb dá já foi melhor.

Anônimo disse...

Excelente matéria, só faltou dar o currículo da filiação política dos cargos dos responsáveis pelos departamentos.

Embora a multa tenha o elemento punição para ser exemplar, ela deve ser educativa. O termo industria da multa mostra a distorção desse principio.

Dia desses apesar de não estar muito distante do meu carro estacionado em zona de cartão e ver e sinalizar à agente da Conurb que estava a caminho para suprir a falta do cartão, fui sumariamente notificado. Ao indagar o porque da notificação que a agente ainda nem tinha começado a prencher, esta me respondeu que eu deveria ter cartão reserva.
Acredito que esta conduta deva ser por orientação superior. E que seja comum e recorrente de vários motoristas.

Gostaria de saber qual a formação, informacão, orientação e autoridade estes agentes recebem.

jucilei disse...

Neste país nada mais me assusta, infelizmente temos uma cultura de punir o pobre e trabalhador, aqueles que deveriam defender o oprimido são os opressores!
E falamos que nosso país é muito bom de morar, justificando toda injustiça por uma liberdade que nos é de direito e não bondade de alguns!