terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Editor da Folha diz que jornal mantém Sarney porque colunista não pode ser ignorado

Diante de questionamentos de leitores, o editor-chefe da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, respondeu por que o jornal mantém o presidente do Senado, José Sarney, como um de seus colunistas, já que o político é alvo de várias denúncias e polêmicas.


“José Sarney foi o primeiro presidente civil brasileiro a exercer a função no pós-ditadura militar, além de ser o atual presidente do Senado. Pode-se discordar do que ele escreve e até de sua atuação política, mas não se pode ignorá-lo”, disse à coluna da Ombudsman, Suzana Singer, neste domingo (19/12).

Ao todo, a Folha mantém 83 colunistas. De acordo com Dávila, o jornal investe na equipe para se diferenciar dos demais veículos e ter mais variedade de informação. “Numa época em que a informação "commodity" -que todo o mundo tem igual- ainda responde por boa parte do que sai nos jornais, a Folha procura se diferenciar pela variedade e qualidade de seu colunismo”.

O editor-executivo também respondeu se a coluna de Luiz Felipe Pondé, que recentemente disse detestar “aeroportos e classes sociais recém-chegadas a aeroportos”, não seria preconceituosa. “Imagino que o leitor de colunas como a do Pondé espera ser provocado e tirado de sua zona de conforto intelectual. Vozes dissonantes do pensamento politicamente correto também são bem-vindas”, afirmou.

Comunique-se

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ditabranda: Folha se livra de indenizar leitor que pedia que jornal se desculpasse “de joelhos”

A 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de indenização do professor de Direito e advogado Fábio Konder Comparato contra o jornal Folha de S.Paulo. O advogado se indignou com o editorial “Limites a Chávez”, que dizia que a ditadura no Brasil foi uma “ditabranda”, e atacou o jornal. Em resposta, a Folha também criticou Comparato.


“De joelhos”

Em carta publicada no Painel dos Leitores, o advogado dizia que o editorial era “vergonhoso” e o autor e o revisor do texto, publicado em 17 de fevereiro de 2009, “deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro”.

“Democrata de fachada”

Após a crítica, a Folha respondeu com uma nota da Redação, alegando que respeitava a opinião dos leitores, mas que Comparato não expressava repúdio a ditaduras de esquerda e por isso sua “indignação” era “cínica e mentirosa”. Em outros artigos, o veículo afirmou que o advogado era um “democrata de fachada”.

Ofendido com a acusação de cinismo e mentira, o advogado entrou na Justiça pedindo indenização por danos morais. Para Comparato, o jornal deveria ter acionado a Justiça e não usado o jornal para fazer acusações.

Justiça diz que troca de ofensas foi proporcional

Para a juíza Alessandra Laskowski, da 21ª Vara Cível de São Paulo, embora a Folha tenha usado termos pejorativos para responder o leitor, foi o advogado que deu início às agressões pessoais, ao discordar do editorial.

"É evidente o excesso do autor ao expressar sua discordância com o conteúdo do editorial. O autor não respeitou a liberdade de pensamento, sendo que em sua carta resposta não se limitou a expressar sua opinião sobre a ditadura, mas também apresentou sugestão de humilhação ao réu.

O desembargador Paulo Alcides Amaral Salles defendeu que a reação da Folha à crítica do advogado foi proporcional, por este motivo não há motivos para indenização.

Na época, o polêmico editorial foi fortemente criticado, tanto que um grupo de cerca de 300 pessoas chegou a fazer protesto em frente à sede do jornal.

Comunique-se

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

WikiLeaks: Dados são exclusividade da Folha e O Globo, mas site não interfere na publicação






As informações vazadas pelo Wikileaks são repercutidas diariamente pela imprensa mundial, no entanto somente sete veículos possuem acesso exclusivo aos arquivos secretos. Entre eles estão os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, responsáveis pela checagem e publicação de informações contidas em três mil documentos confidenciais que abordam o Brasil. Os jornais têm autonomia para escolher, dentre todos os dados, o que deve ou não ser publicado.

Além dos periódicos nacionais, a jornalista da revista Carta Capital Natalia Viana, uma das colaboradoras do site Wikileaks, também tem acesso aos telegramas. Quanto à imprensa, ela garante. “Tudo relativo ao Brasil está com a Folha e Globo”, disse Natalia, em debate realizado na noite desta quarta-feira (15/12). Segundo a repórter, o jornal O Globo, por exemplo, montou uma equipe para apurar todos os documentos.

De acordo com ela, o Wikileaks não interfere nas publicações de Folha e Globo e cabe aos veículos escolherem o que deve ser divulgado. "O Wikileaks não irá julgar o tratamento dado pela Folha, cabe ao jornal decidir o que ele quer soltar”. No mundo, a parceria entre o site de Julian Assange e a imprensa é formada por The New York Times (Estados Unidos), The Guardian (Reino Unido), Le Monde (França), El Pais (Espanha) e pela revista Der Spiegel (Alemanha).

Estima-se que todos os documentos, cerca de 250 mil, serão disponibilizados para os internautas em janeiro do ano que vem. No olho do furacão, como a própria Natalia Viana, define seu atual momento, ela diz que tem sofrido pressão de diversos veículos que estão em busca do furo de reportagem, mas que “pouca gente está olhando o material” disponível no site.

O que os documentos falam sobre o Brasil
Dona de um blog pela revista Carta Capital que aborda o assunto, Natalia disse que os documentos são muito saborosos de ler. “Contam a história inteirinha do governo Lula na visão da diplomacia americana”, diz. Em um dos seus primeiros posts, os telegramas revelavam o que embaixadores dos EUA pensavam de Lula e sua cúpula de ministros, definindo Aloizio Mercadante, por exemplo, como “radical”.

Renan Justi - Comunique-se

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PEC 33/09 pode ser votada no Senado neste final de ano



Entidades apoiadoras da Campanha em Defesa do Diploma desenvolvem nova ofensiva para buscar garantir a aprovação do substitutivo à Proposta de Emenda Constitucional 33/09 – a PEC do Diploma – ainda este ano. A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas intensificam contato com parlamentares para que a matéria vá a voto na próxima semana, tendo em vista a previsão de que haverá quorum no plenário do Senado.

As últimas sessões do Senado em 2010 ocorrerão entre os dias 7 e 9 de dezembro. Como a um apelo do governo para a votação de matérias consideradas prioritárias, a previsão é de que haverá grande quorum. Entre os dias 7 e 9 de dezembro, ocorrem as últimas sessões do Senado. “Como tramita em regime especial, a PEC do diploma está na pauta permanentemente e é possível que nestas sessões se alcance o quórum necessário para a votação e aprovação”, explica o presidente da FENAJ, Celso Schröder.

Em comunicado às direções dos Sindicatos e entidades apoiadoras da proposta de reinstituição do diploma como requisito para o exercício da profissão de Jornalista, a direção da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma solicitaram a intensificação dos contatos com os parlamentares nos estados para garantir o apoio e voto dos parlamentares. Para que a PEC dos Jornalistas seja aprovada em primeiro turno é preciso um quorum de 65 senadores presentes em plenário e o voto favorável de 49 deles.

Dirigentes da FENAJ e dos sindicatos de Jornalistas estarão em Brasília na semana em que ocorrem as últimas sessões do Senado para ampliar o diálogo com os parlamentares e acompanhar as votações.

Brasil Econômico defende Ongoing e diz que Folha e O Globo temem concorrência


Em editorial publicado nesta quinta-feira (2/12), o diretor de Redação do jornal Brasil Econômico, Ricardo Galuppo, defendeu o Grupo Ongoing e a Eseja, responsável por sua publicação e a dos jornais O Dia, Meia Hora e Marca. Na edição de ontem (01/12), a Folha de S.Paulo noticiou a investigação do Ministério Público Federal contra a Ongoing. A matéria também dizia que o grupo teria chegado ao Brasil com o apoio de petistas e que a empresa portuguesa havia comprado 49% do jornal Alô Brasília.

Galuppo enfatizou que a queixa que deu origem à investigação partiu da Associação Nacional de Jornais (ANJ), cuja presidente, Judith Brito, trabalha na Folha. Ele também afirmou que a empresa teme concorrência do grupo português Ongoing.

“Talvez para não deixar nas mãos das Organizações Globo (empresa a cujos interesses a ANJ está subordinada) o papel exclusivo de tentar impedir que um novo concorrente se consolide no mercado, a Folha de S. Paulo publicou ontem uma extensa reportagem sobre o grupo português Ongoing (dono de 30% da Ejesa) e seus negócios no Brasil”.

O jornalista também afirmou que a Folha e a Globo temem que seu jornal de finanças, o Valor Econômico, perca espaço para o do Grupo Ongoing, e criticou fortemente o jornal.

”São tantas mentiras, tantas tolices e tantas baboseiras distribuídas por uma página e meia do jornal que seria enfadonho responder a cada uma delas. A mais gritante diz respeito à suposta compra, no Distrito Federal, de um jornal chamado Alô Brasília”.

Galuppo ironizou e voltou a criticar a Folha. “O ataque da Folha de S. Paulo não causa espanto. Esperar que aquele diário pratique jornalismo sério é o mesmo que imaginar a hipótese de a torcida do Palmeiras vibrar com uma eventual conquista do título brasileiro pelo Corinthians. Não há possibilidade de isso acontecer”.

Para finalizar, o diretor de Redação ainda citou supostos casos da ditadura e acusou o jornal de ter sido conivente com o regime.

O Grupo Ongoing é alvo de uma investigação a pedido da ANJ. Segundo a entidade, a empresa usaria artifícios para burlar a Constituição, que limita a 30% a participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação brasileiras.

Comunique-se

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ongoing diz que matéria da Folha está “repleta de falsidades”

O grupo português Ongoing, detentor de ações na Ejesa - empresa que edita os jornais Brasil Econômico, O Dia, Meia Hora e Marca - contestou a queixa da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a matéria publicada nesta quarta-feira (01/12) na Folha de S. Paulo, que aborda a investigação do Ministério Público Federal e também faz outras denúncias contra a empresa. Segundo o Ongoing, a matéria apresenta “falsidades”.


A empresa é investigada porque, segundo a ANJ, estaria usando artifícios para ocultar que o controle econômico e editorial dos veículos estaria nas mãos da companhia portuguesa, o que é proibido no Brasil, já que nos veículos de comunicação do País a linha editorial deve ser dirigida por brasileiros e a participação de capital estrangeiro não pode exceder 30% do valor da empresa.

“Trata-se de uma clara tentativa de condicionar o poder judicial a favor de uma queixa que não tem qualquer fundamento”, declarou o diretor de comunicação do Grupo Ongoing, Ricardo Santos Ferreira.

Ricardo ainda afirmou que a matéria da Folha não condiz com a verdade e que o caso já foi entregue aos advogados da empresa. “A matéria está repleta de falsidades e o caso está entregue a nossos advogados. Obviamente, o Grupo Ongoing cumpre integralmente a legislação”.

Suposto respaldo político

Além de noticiar a investigação do MPF, a reportagem da Folha dizia que a chegada do Ongoing no Brasil teria sido motivada por petistas, que para criar uma rede de comunicação alinhada ao governo, que diminuísse o poder dos grandes grupos de mídia brasileiros.

Segundo o jornal, o principal responsável pelas negociações entre o grupo e o governo seria o ex-ministro e ex-deputado federal José Dirceu, colunista do Brasil Econômico.

Izabela Vasconcelos